...quem sabe... outro dia?
Não me venha com esse papo de boa moça. Não ajudo mais idosos atravessarem a rua porque a última levantou a bolsa para me bater, alegando que podia se virar sozinha. Foi, ela disse assim mesmo, que se "vira". Vai entender esse mundo... Nem mulheres grávidas desde que tenha C-E-R-T-E-Z-A de seu estado: certa vez fui ceder meu lugar na fila e a jovem não estava grávida de 7 ou 8 meses de gêmeos. Era a sua barriga mesmo.
Não, não e não. Eu não sentarei de pernas cruzadas, afinal melhor lugar não existe: repouso a taça de champanhe entre minhas pernas e os machos me olham. Solto uma gargalhada escandalosa para a surpresa da minha amiguinha fofuxa que está do outro lado do salão, vermelha, fingindo não me conhecer. Quando fomos apresentadas, ela estendeu o tapete vermelho para mim, só para pisar um pouquinho nele ao meu lado e receber uns cliques. Claro que todas as lentes me procuravam e flashes faziam resplandecer mais meu sorriso branco de comercial de pasta de dente. Ela nunca imaginaria que a fama de aluna exemplar - aquela que consegue dez em todas as disciplinas, inclusive com o professor que dá aula de português sem saber português ("As meninos vai" ainda ecoa em minha mente) - seria de uma porra-louca como eu.
Isso é o que dá assistir muito a sessão da tarde, garotinha. Eu diria, se ela me pedisse um conselho. Cê fica assistindo a esses filmes, nos quais as melhores alunas são tímidas, mal vestidas e não dão pra ninguém e esperava que eu fosse assim? Faz-me rir. Nada de suéter: um jeans surrado para o dia e um micro vestido preto à noite. Não é tudo? Ah, cê não sabe andar de salto? Que pena. Quanto aos homens... olha, é sério, não se aprende a lidar com eles. Isto se nasce sabendo. E nem vá pensando que tem a ver com beleza: é claro que, ao chegarem à festa, olharão para a bunda maior que aparecer. Mas, para quê? Para eles darem um chute nela no dia seguinte ou até outra maior aparecer? Escute um conselho, embora não sirva para quem nasceu sem pegada, use sua bunda, seus peitos, sua barriga... e seu cérebro. Não, querida. Não digo apenas para fazer de cabeça o cálculo do barzinho antes que o garçom traga a conta sequer para fazer cara de conteúdo enquanto ele e os amigos discutem economia ou futebol, falo para criar artimanhas de sedução, pois se há uma coisa que um homem gosta é de ser surpreendido. Ai, não me diga que você tenta artimanhas da novela das 7?!
zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.
Olha, é sério, não farei cara de quem concorda quando alguém soltar uma idiotice em meio à aula. Coloco meus óculos escuros e faço cara de paisagem mesmo, na boa, sem ressentimentos. E mais, levarei minhas idiotices até o fim, até que todos as aceitem, não que eu tenha a retórica de um advogado, mas o farei, assim, decidida. Alguns dirão que sou inflamável, outros autêntica, e outros metida. Já tanto faz. Não ligo nem um pouco! Há tempos decidi ser out. Um ser extra-planar caótico e neutro. Nego-me a tratar de assuntos acadêmicos em meios não-acadêmicos. Quero apenas falar da vida.
E viver. Rindo. Com uma dose de vodca. Um fora meticulosamente elaborado. Alguns raros amigos. Um pretinho básico. E sem você.
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