Texto Esquecido
É hora de ler o passado. Remexo meus verbos e encontro algum sentido, embora não mais participe desta ótica. Palavras até belas, mas vazias.
Agora me sinto inteira, sem reticências. Sinto a morte vir, sorrio-lhe e ela me corresponde, bela qual brumas que se espalham pela planície em manhã de inverno.
Entretanto não a esperarei aqui, não inerte, não de mãos atadas. Estender-lhe-ei minhas mãos e ela cederá a meu capricho de mais uma valsa, porque ela é apenas aquela adolescente irrequieta que habita em nós: uns a sufocam e amarguram-se; outros a libertam e têm uma semana feliz.
Ainda me amarguro, mas voltei a me comover. Talvez seja o clima: um dia cinza em pleno verão nos faz nos esquecer um pouco, logo não precisamos escolher o que sufocamos ou libertamos e isso nos dá certo sentido sem que percebamos.
O sentido que tanto perseguimos em vão, aquele mesmo tão mimetizado, tão metaforizado e sempre impalpável.
O sentido de um girassol que cai sobre si mesmo, ao crescer mais que suas forças.
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